Sindicato dos Eletricitários protestam em Feira de Santana
Ato cobra ganho real, manutenção de cláusulas do acordo coletivo e critica reajuste de 42% no plano de saúde
Publicado: 28 Janeiro, 2026 - 09h09
Escrito por: JP Miranda para o site de Olho na cidade | Editado por: CUT Bahia
Trabalhadores da Neoenergia Coelba realizaram, nesta segunda-feira (26), uma manifestação em frente à UTD Feira Norte, em Feira de Santana, para cobrar avanços nas negociações da campanha salarial. O ato foi organizado pelo Sindicato dos Eletricitários da Bahia (Sinergia) e contou com a presença de aposentados, que participaram em apoio ao movimento.
De acordo com o sindicato, a empresa apresentou uma proposta limitada apenas ao reajuste pelo INPC, sem ganho real. Para o diretor do Sinergia Bahia e representante da categoria na mesa de negociação, Esdras Santos, a postura da empresa demonstra falta de sensibilidade com os trabalhadores.
“A Neoenergia Coelba vem aumentando seus lucros a cada ano. Em 2025, o lucro líquido ultrapassa os dois bilhões de reais, enquanto para a categoria ela oferece apenas o INPC, sem qualquer ganho real. Os trabalhadores estão pedindo socorro”, afirmou.
Entre as reivindicações estão o reajuste salarial com ganho real, a ampliação do auxílio dependente, atualmente limitado a crianças de até 11 anos, 11 meses e 29 dias, além da manutenção de cláusulas do acordo coletivo que, segundo o sindicato, sofreram alterações prejudiciais aos funcionários.
Outro ponto de crítica é o plano de saúde, com um reauste de 42%.
O dirigente sindical também criticou a estratégia da empresa durante as negociações da data-base, que ocorre em 1º de outubro. Segundo ele, a pauta foi entregue com antecedência, no dia 1º de setembro.
“A empresa atrasou o acordo coletivo e tentou oferecer um abono no ticket-refeição como troca pela retirada de direitos. Benefício não se negocia. O trabalhador luta por dignidade, por bem-estar e por um futuro melhor para sua família, não apenas por comida”, ressaltou.
O sindicato afirma ainda que já levou denúncias ao Ministério Público do Trabalho e à Superintendência Regional do Trabalho, relatando práticas de assédio e pressão sobre os funcionários durante o processo de negociação.
“Estamos abertos ao diálogo e queremos um acordo coletivo justo. O que não pode é a empresa retirar direitos para sustentar lucros exorbitantes. Isso nunca aconteceu nessa dimensão”, disse Esdras.
“Nosso compromisso é com a sociedade. Não queremos que as pessoas fiquem sem energia, mas é preciso entender que são esses trabalhadores que levam energia e qualidade de vida para todos. Hoje há excesso de horas extras, falta de descanso e muito assédio. É uma categoria essencial sendo cada vez mais desvalorizada”, concluiu.
O Sinergia informou que seguirá mobilizado até que a Neoenergia Coelba apresente uma proposta que contemple as reivindicações da categoria.