Movimentos sociais protestam contra aumento da tarifa de ônibus em Salvador
Reajuste eleva passagem para R$ 5,60 e coloca Salvador entre as tarifas mais caras do Nordeste e do Brasil
Publicado: 11 Janeiro, 2026 - 19h22
Escrito por: Raquel Santana | Editado por: CUT- BAHIA
Juventudes e movimentos sociais realizaram, na tarde desta sexta-feira (9), um ato de protesto contra o aumento da tarifa de ônibus em Salvador. A mobilização ocorreu na Estação da Lapa, um dos principais pontos de circulação da capital baiana.
O reajuste elevou o valor da passagem de R$ 5,30 para R$ 5,60 e está em vigor desde o dia 5 de janeiro. A medida foi anunciada em meio aos festejos de final de ano promovidos pela Prefeitura e impacta diretamente o orçamento da população mais vulnerável, como estudantes, trabalhadores e usuárias e usuários do transporte público.
A presidenta da CUT Bahia, Leninha Valente, criticou a decisão da gestão municipal e a falta de políticas públicas para reduzir o custo do transporte.
“Salvador passou a ter a tarifa de ônibus mais cara do Nordeste. Enquanto o metrô é subsidiado pelo Governo do Estado, o transporte sob responsabilidade da Prefeitura foi reajustado sem qualquer sensibilidade social. As famílias já enfrentam dificuldades para sobreviver e ainda são penalizadas com um transporte cada vez mais caro, quando a Prefeitura poderia subsidiar o sistema”, afirmou.
O secretário de Comunicação da CUT Bahia e diretor do Sindae, Orlando Santos, também criticou a forma como o reajuste foi implementado.
“O aumento foi decretado de forma monocrática, acima da inflação e sem passar pela Câmara de Vereadores. Trinta centavos a mais pesam no bolso de quem depende do transporte diariamente. Com esse reajuste, Salvador passa a ter uma das tarifas mais caras do Brasil”, destacou.
A presidenta do PT Salvador, Ana Carolina, ressaltou a importância da unidade dos movimentos sociais e da classe trabalhadora.
“Estamos construindo uma oposição forte contra esse pacote de maldades que atinge diretamente quem vive do trabalho”, afirmou.
Já o vereador do PSOL, Hamilton Assis, defendeu mudanças no modelo de financiamento do transporte público e cobrou transparência da gestão municipal.
“Defendemos a tarifa zero, mas a Prefeitura alega falta de recursos enquanto subsidia empresários. Dinheiro existe. O que falta é transparência para debater os custos reais do sistema”, disse.
Ao final do ato, os movimentos reafirmaram que seguirão mobilizados em defesa do direito à mobilidade e contra o alto custo do transporte público em Salvador.