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IPEA confirma: mulheres e negros serão os mais beneficiados com o fim da jornada 6x1

Estudo aponta que maioria dos 34 milhões de trabalhadores com jornadas acima de 40 horas é formada por mulheres e população negra

Publicado: 03 Março, 2026 - 14h02 | Última modificação: 03 Março, 2026 - 14h14

Escrito por: Raquel Santana | Editado por: CUT BAHIA

Agência Brasil/ Arquivo
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A luta histórica da classe trabalhadora pela redução da jornada sem redução de salários ganha reforço técnico. Levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) confirma que mulheres e pessoas negras serão as principais beneficiadas com o fim da jornada 6x1 no Brasil.

Atualmente, cerca de 34 milhões de trabalhadores e trabalhadoras cumprem jornadas superiores a 40 horas semanais. Segundo o estudo, há uma presença desproporcional da população negra e das mulheres nesse contingente, revelando como a superexploração da força de trabalho tem recorte de raça e gênero.

“Na média geral, 77% dos trabalhadores têm jornadas acima de 40 horas semanais, quando olhamos especificamente para os trabalhadores negros, essa porcentagem chega a 86%. Então, realmente existe uma participação desproporcional do trabalhador negro nas jornadas acima de 40 horas”, afirmou o pesquisador Felipe Volpo, em entrevista à CUT Bahia.

No caso das mulheres, o cenário combina dupla penalização: longas jornadas e baixos salários.

“Temos uma prevalência maior de mulheres em jornadas estendidas e em contratos de até dois salários mínimos. Então, as mulheres são especialmente submetidas a jornadas mais longas, nas funções de menor remuneração, acumulando desvantagens.”

Redução da jornada não gera desemprego

O estudo do IPEA também desmonta um dos principais argumentos do setor empresarial contrário à medida: o de que a redução da jornada provocaria desemprego ou queda na produção.

 “Esse aumento do custo do trabalho está em linha com outros reajustes já enfrentados pela economia brasileira, especialmente a partir da política de valorização real do salário mínimo. A política já operou com aumentos superiores a 7,5% do salário mínimo sem gerar desemprego ou redução da produção. Consideramos essa comparação válida porque até 90% dos trabalhadores com jornada acima de 40 horas semanais têm contratos na faixa de até dois salários mínimos. Nossa estimativa é que, se o salário mínimo foi bem absorvido sem gerar desemprego, uma redução da jornada também tem capacidade de absorção.”

Volpo também destaca o cenário favorável do mercado de trabalho.

“O mercado de trabalho brasileiro está com taxas de desemprego muito baixas, o que indica capacidade de absorção de melhorias nas condições de trabalho. Muitas redes, especialmente do setor de supermercados e hipermercados, já estão mudando espontaneamente suas escalas para atrair trabalhadores.”

Mais tempo de vida, menos adoecimento

Além do impacto econômico positivo, o estudo aponta ganhos concretos na qualidade de vida da classe trabalhadora.

“O principal impacto direto é o aumento da qualidade de vida das pessoas. Se reduzirmos o trabalho aos fins de semana, isso permite mais tempo com a família, mais cuidado na educação dos filhos, tempo para o autodesenvolvimento e investimento em qualificação. Além disso, tende a reduzir problemas de saúde, o que pode ser benéfico inclusive para as próprias empresas.”

A CUT Bahia reafirma que a luta pelo fim da jornada 6x1 não é apenas uma pauta trabalhista, é uma agenda de justiça social, de enfrentamento ao racismo estrutural e de promoção da igualdade de gênero. Reduzir a jornada é distribuir melhor o tempo, a renda e a dignidade.