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Carta de repúdio à morte da população negra no Brasil

Nos colocamos firmemente contra a violência policial, contra o racismo velado e escancarado que MATA jovens negros diariamente.

Publicado: 23 Novembro, 2020 - 16h49 | Última modificação: 23 Novembro, 2020 - 16h52

Escrito por: SECRETARIA DE COMBATE AO RACISMO

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NOTA DE REPÚDIO

A Central Única dos Trabalhadores do estado da Bahia (CUT-BA) vem a público manifestar a sua total indignação, consternação e repúdio à onda de violência presenciada nos últimos dias contra o povo negro no Brasil.

 

O racismo no Brasil, coincidentemente ou não, é cínico e cruel. O assassinato violento de João Alberto Silveira Freitas,  um homem negro de 40 anos, espancado, asfixiado e morto por dois seguranças brancos em público, na véspera do Dia Nacional da Consciência Negra, dedicado a memória de Zumbi dos Palmares, referência da luta pela vida e pela liberdade do povo negro escravizado no Brasil, não poderia exemplificar de forma mais terrível a crueldade dos racistas.

 

Repudiamos a grande varejista francesa Carrefour, que insiste em remarcar a colonialidade europeia em nosso país a cada vez que seus funcionários da segurança violentam e matam corpos negros em nome da higienização social. Repudiamos igualmente a inércia da república francesa frente aos atos de uma empresa oriunda de seu território, não mais do que repudiamos a inércia da nossa república mãe, racista, conivente e promotora do genocídio negro no Brasil.

 

Nos colocamos firmemente contra a violência policial, contra o racismo velado e escancarado que MATA jovens negros diariamente. Repudiamos a falta de empatia de uma população branca que assiste a essas mortes caladas, como tanta violência não fosse sintoma de uma sociedade corroída pelo cancro do racismo baseado nos preconceitos de cor.

 

Repudiamos igualmente ausência de ações do Legislativo e Judiciário na reformulação de políticas públicas conscientizadoras e punitivas para com as atitudes racistas tendo como base o fato de que estas constituíram as bases morais e econômicas da sociedade brasileira desde os tempos de domínio da lusitanidade em nosso território.

 

Afrontamos e contradizemos com a mesma veemência as falas desonestas do vice presidente da República, Hamilton Mourão e do presidente, Jair Bolsonaro, que de maneira torpe relacionam as mortes à violência comum pautado em um mito que já não se sustenta perante o atual estado de crescente conscientização da nossa juventude:  o mito da democracia racial.

 

Reiteramos que a violência contra os negros e negras não constituem fatos isolados, violações constantes como as reincidentes do Carrefour e de muitas outras grandes e pequenas lojas Brasil afora, são o reflexo de um estado que autoriza a existência contemporânea de figuras como o capitão do mato sob a roupagem dos seguranças que afinal, protegem a quem, ao que e de quem?

 

Reafirmamos o nosso compromisso no combate aos atos de violência racial reiterados diariamente por uma nação ingrata e violenta para com os seus.

Vidas Negras importam!

 

 

Maria Madalena Firmo

Presidente - CUT Bahia

 

Cristina Brito

Secretaria Geral - CUT Bahia

 

Gilene Pinheiro

Secretaria de Combate ao Racismo - CUT Bahia

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