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Artigo

UMA CHANCE PARA ITABUNA

Publicado: 11 Julho, 2016 - 16h19

Em artigo publicado nessa seção no último dia 7, sob o título “É hora de mudar”, o coordenador do Movimento Salve o Rio Cachoeira, Israel Cardoso, trata da grave crise enfrentada por Itabuna na área do saneamento básico e indica como solução a participação da iniciativa privada no comando dos serviços. Isso para nós é um equívoco.

Se a água hoje está escassa, seja por questão climática (não chove há meses na região), seja por má gestão da empresa municipal, agora pontuada por crimes cometidos por seus gestores, ela também ficará escassa se se adotar a privatização. A lógica do empresário é o lucro, ponte para praticar tarifas abusivas inacessíveis para a maioria da população, criando inaceitável desigualdade no atendimento de um serviço essencial à vida.

No artigo, o coordenador indica necessidade de R$ 400 milhões de investimento no saneamento em Itabuna. Pode-se imaginar que tarifa o empresário vai cobrar para ter o retorno desse dinheiro...

Recentemente o Uruguai incluiu na Constituição norma impeditiva da privatização da água, o mesmo fazendo uma região da Itália. Paris, seis anos atrás, retomou os serviços entregues à uma multinacional. Cochabamba, na Bolívia, fez correr empresários americanos que se apoderaram de suas águas e assim sucessivamente a privatização tem sido defenestrada.

Por serem essenciais à vida, serviços de saneamento básico (água e esgotamento sanitário) devem ficar sob gestão pública. Cabe à sociedade exigir que sejam prestados de forma eficiente, com qualidade e de forma universal. Saneamento é direito do cidadão e obrigação do estado.

Má gestão, corrupção, empreguismo e outras mazelas na Emasa devem ser rigorosamente combatidos. A população deve aproveitar a crise para pensar um bom modelo de gestão do saneamento, que não seja via privatização, para evitar a eternização da tragédia.