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Artigo

Alma Lavada

Publicado: 08 Novembro, 2010 - 00h00

Escrito por: Joo Antnio Felcio, secretrio de Relaes Internacionais da CUT
 
Esta eleio ficar na histria como aquela em que houve maior parcialidade da mdia nacional. Nem mesmo em 1989, quando a Rede Globo editou as imagens do debate para favorecer Collor de Mello houve tamanho comprometimento de setores da mdia com uma candidatura e a tentativa de desconstruir outra.
 
Reportagens, fotografias, editoriais, textos assinados e at cartas de leitores eram unnimes em discorrer elogios a Jos Serra e atacar Dilma Rousseff. Por extenso atacaram de todas as formas o governo Lula e numa inverso indita da lgica de dar visibilidade s opinies divergentes da sociedade os 3% que, segundo os institutos de pesquisas, consideram o governo ruim ou pssimo ocupavam nestes veculos de comunicao o espao que seria razovel ser ocupado tambm pelos 83% que avaliam positivamente o presidente e seu governo.
 
Criminosos com extensa ficha na polcia foram guindados condio de empresrios e consultores, figuras absolutamente annimas defensores do obscurantismo e sem nenhuma representatividade social, tiveram espaos nobres para discorrer sobre suas idias medievais. Notrios tucanos ou demistas eram apresentados como cientistas sociais. TFP, Opus Dei e outros celerados que chegaram a defender em passado recente a volta da Monarquia, assessoravam o candidato tucano e tiveram espaos significativos na nossa mdia que se pretende moderna e democrtica. Obscurantistas estes que, com certeza, convenceram Serra a beijar a santa.
 
Tudo isso, sob o discurso hipcrita da neutralidade que escondia o seu partidarismo, explicitado somente pelo Estado que, em editorial, admitiu a sua preferncia pelo candidato tucano. Jornal este que, para no deixar dvidas a respeito da sua postura antidemocrtica demitiu a articulista Maria Rita Khel que ousou questionar a desqualificao do voto dos pobres que reiteradamente aquele jornal e toda a grande mdia insistem em promover.
 
Num dos piores momentos da campanha de baixssimo nvel de Jos Serra, foi colocado no seu programa eleitoral cachorros ferozes simbolizando a militncia petista, desrespeitando mais de um milho de cidads e cidados brasileiros filiados a esta legenda, que contriburam e contribuem com sua militncia voluntria para construo de um pas cada vez mais democrtico, com insero soberana no mundo e com justia social e econmica.
 
A imagem dos rottweiler, entretanto, mais apropriada para ilustrar o comportamento de alguns articulistas, analistas e colaboradores da grande imprensa que mais realistas do que o rei destilaram dio contra o governo Lula, Dilma Roussef, o PT, os aliados e as centenas de organizaes sociais que apoiaram a candidata petista.
 
Figuras patticas como Demtrio Magnoli, Marco Antonio Villa, Danusa Leo, Arnaldo Jabor, Jos Numanne Pinto, Denis Rosenfeld, Boris Casoy, Marcelo Madureira, Diogo Mainardi, Reinaldo Azevedo, s para citar os mais conhecidos, parece que estabeleceram uma disputa pessoal para ver quem era o mais troglodita da direita, descia ao nvel mais baixo, espalhava maior quantidade de calnias, vociferava com mais virulncia, amplificava mais qualquer notcia negativa.
 
No se tratava de fazer anlise poltica, nem mesmo de defender Jos Serra, evidentemente o candidato de todos eles. O principal objetivo era atacar Dilma e tudo aquilo que ela representa, seus aliados e simpatizantes. assim que aqueles indivduos destilaram dios, evidenciaram o seu obscurantismo misgeno e medieval, apresentando-se ao Brasil como bestas-feras, exemplos de caluniadores e reacionrios preconceituosos.
 
Articulistas estes que passavam ao largo dos escndalos e desmandos tucanos. Que silenciaram sobre o caso Alston, o Metr, Paulo Preto, em So Paulo, a longa lista de escndalos do governo tucano no Rio Grande do Sul e o mar de lama do governo DEMO do Distrito Federal. H que se chamar ateno, ainda, para o fato de que, entre os poucos articulistas simpticos ao governo Lula, ao PT e aos movimentos sociais que tm espao na grande mdia, no existe um nico que defenda suas idias ou ataque os adversrios de forma to desrespeitosa, to baixa, to chula.
 
Devido aos cargos que ocupo, e por hbito, leio todo o tipo de publicao, tanto da grande imprensa como da imprensa alternativa, e tenho me deparado com as mais diversas anlises polticas, econmicas, sociais e culturais sobre nosso pas. A variedade de opinies, sem sombra de dvidas, salutar para a nossa democracia. Existem inmeros articulistas srios que se opuseram ao governo Lula, ao PT, sua candidata ou que tm crticas ao movimento sindical e os movimentos sociais. Essas crticas so bem vindas pois contribuem para mudanas de rumos, de reflexo da poltica, da comparao de opinies. Ao longo da minha trajetria poltica mais de uma vez fui influenciado por opinies de articulistas ou analistas acerca de decises polticas que tive e tenho como dirigente partidrio ou sindical. A crtica qualificada e contundente, ainda que incomode princpio, contribui para nosso amadurecimento.
 
No esse papel, entretanto, que exercem os citados articulistas/colaboradores que se especializaram em no reconhecerem um nico acerto em um governo que - repito tm mais de 80% de aprovao da populao brasileira. Articulistas que optaram por dialogar unicamente com os 3% que acham o governo ruim ou pssimo e que procuram de todas as formas maximizar os piores preconceitos e ressentimentos desta minoria.
 
Em 2002, a Esperana venceu o medo, em 2010 vencemos o preconceito, as calnias, o dio e o Brasil continuar no caminho da justia social, da verdadeira democracia e de sua insero soberana no mundo. Esses anes morais sero jogados na lata de lixo da histria e, no futuro serviro apenas como exemplos de mau jornalismo a serem estudados pelos milhares de jovens que tero acesso universidade graas ao programas sociais dos governos petistas que eles tanto combateram.
 
Acusam-nos de querermos cercear a liberdade de imprensa, de sermos antidemocrticos. Continuaremos - quer gostem ou no - a lutarmos pela democratizao dos meios de comunicao, pelo equilbrio das informaes, e do espao para o contraditrio, pela  busca da verdade e da informao no distorcida. Continuaremos a lutar para que os meios de comunicao deixem de ser um Partido da Imprensa Golpista.
 
A ameaa que pesa sobre a grande mdia nacional, entretanto, no o controle social da mdia proposta na Conferncia Nacional de Comunicao. A ameaa que pesa sobre estes conglomerados a perda da credibilidade, o abandono dos seus leitores, ouvintes e telespectadores.
 
Estou com a alma lavada, festejando junto com o povo brasileiro que deu uma banana aos formadores de opinio e optaram pela continuidade de um projeto poltico que trabalha por um Brasil para todos os brasileiros.