Escrito por: Raquel Santana

Nota de Solidariedade ao psicológico Manoel Rocha

A Central Única dos Trabalhadores da Bahia (CUT Bahia), por meio de sua Direção Executiva e da Secretaria de Combate ao Racismo, vem a público manifestar profunda solidariedade à família, amigas, amigos e colegas do psicólogo e mestrando da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Manoel Rocha.

Homem negro, intelectual comprometido com a produção de conhecimento e com a defesa da dignidade humana, Manoel denunciou publicamente ter sido vítima de racismo em um camarote durante o Carnaval de Salvador. Em relato divulgado em suas redes sociais, expressou, com lucidez e dor, o quanto a sociedade ainda insiste em negar humanidade plena à população negra, citando trecho de uma canção: “A felicidade do branco é plena, a felicidade do negro é quase”.

Sua morte precoce interrompe uma trajetória promissora e representa uma perda irreparável para a sociedade baiana, especialmente para a comunidade negra. Em Salvador — a cidade mais negra fora do continente africano — o racismo não é episódio isolado: é estrutura que organiza espaços, oportunidades e violências, muitas vezes naturalizadas.

O Carnaval, maior festa popular do mundo, também escancara esse apartheid social e racial. As cordas que separam foliões pagantes dos trabalhadores e trabalhadoras que sustentam a festa simbolizam uma lógica excludente. Cordeiros, ambulantes, catadores e diversos profissionais enfrentam jornadas exaustivas, baixa remuneração e desrespeito, enquanto camarotes ocupam espaços públicos sob a lógica da mercantilização. Trata-se de uma engrenagem que se alimenta do racismo estrutural e das desigualdades históricas, reproduzidas ano após ano.

A CUT Bahia reafirma seu compromisso com o enfrentamento ao racismo, com a defesa de condições dignas de trabalho e com a responsabilização rigorosa em todos os casos de discriminação racial. Não há democracia plena enquanto a população negra seguir sendo violentada em sua dignidade, em seus direitos e em sua saúde mental.

Que a memória de Manoel Rocha nos convoque à ação. Que sua voz ecoe na luta por uma sociedade verdadeiramente justa, antirracista e comprometida com a vida.