O governo dos Estados Unidos não pediu autorização ao Congresso Americano, não comunicou à ONU e não respeitou nenhum protocolo diplomático. Apenas atacou.
Na madrugada de 3 de janeiro de 2026, helicópteros militares americanos sobrevoaram Caracas. A operação “Absolute Resolve” — batizada assim pelo Pentágono — tinha um único objetivo: capturar Nicolás Maduro enquanto dormia. O governo dos Estados Unidos não pediu autorização ao Congresso Americano, não comunicou à ONU e não respeitou nenhum protocolo diplomático. Apenas atacou.
O resultado: 80 mortos e Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, sequestrados e transportados para Nova York, onde enfrentam acusações de narcotráfico. Mas aqui começa o ponto que a mídia corporativa nacional e internacional ainda não mencionou: a primeira mulher a governar a Venezuela chegou ao poder pela coragem institucional diante de um sequestro ilegal. E isso muda tudo!
Horas depois da operação, o Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela acionou o Artigo 233 da Constituição Bolivariana. É um mecanismo previsto há 27 anos para situações emergenciais: quando o presidente não pode exercer suas funções, a vice-presidência assume o governo. Delcy Rodríguez, então vice-presidenta executiva, tomou posse no dia 4 de janeiro de 2026. Aos 55 anos, advogada, ex-ministra de Relações Exteriores, ela se tornou a primeira mulher a chefiar o poder executivo na história da Venezuela, por um ato de soberania institucional.
Em seu primeiro discurso, Delcy foi clara: “Maduro continua sendo nosso presidente legítimo”.
Logo após assumir, Delcy Rodríguez ativou mecanismos que os EUA não esperavam encontrar:
Aqui está o nó geopolítico que os EUA enfrentarão:
A herança de Hugo Chávez: Em 2002, militares tentaram derrubar Chávez via golpe interno. A população saiu às ruas, os militares recuaram, e Chávez voltou ao poder em 48 horas. Isto ensinou uma lição que permanece: instituições que se unem são difíceis de derrotar. Chávez então construiu, durante 14 anos de governo, estruturas de “poder popular” — conselhos comunitários, milícias locais, assembleias abertas — especificamente para impedir que um futuro golpe (ou invasão) conseguisse controlar o país.
O Consenso Anti-imperialista: Logo após a captura de Maduro, manifestações tomaram as ruas de Caracas. Não era apoio unânime a Maduro (a oposição questionava seu governo), mas era rejeição clara à invasão americana. Milhões se alistaram na milícia. Governos da América Latina — Brasil, Colômbia, México, Chile, Uruguai — rejeitaram publicamente a operação, chamando-a de “violação do direito internacional”.
As mulheres na primeira linha: Cerca de 80% da base do poder comunitário venezuelano são mulheres. Elas organizam água, alimento, cuidado comunitário. Delcy, como primeira mulher presidenta, personifica isto. Não é apenas simbólico — é estrutural. Ocupar a Venezuela significa ocupar estruturas de sobrevivência comunitária coordenadas por mulheres que conhecem cada esquina, cada quadra, cada rua.
O apoio das superpotências Rússia e China: Ambas condenaram a operação. China compra 84% do petróleo venezuelano. Rússia sinalizou apoio diplomático (ainda que não possa intervir militarmente). Isto cria custo geopolítico: qualquer ocupação americana da Venezuela seria vista como desafio direto a potências rivais.
Delcy tem agora 90 dias para consolidar governo. A pergunta é: conseguirá Trump impor um presidente fantoche? Conseguirão as corporações americanas entrar no petróleo venezuelano?
As respostas não são simples. A Venezuela tem instituições frágeis em muitos aspectos, mas possui três coisas que dificultam ocupação:
1. Estrutura de poder popular descentralizada;
2. Coesão militar em torno de liderança civil;
3. Rejeição regional e global à operação de Trump.
Não é uma vitória garantida para a Venezuela. Mas é claro que o Império encontrou mais resistência do que esperava. E encontrou-a, ironicamente, liderada pela primeira mulher a governar a nação no momento mais crítico de sua história.